terça-feira, 14 de junho de 2011

Oferta de artigos verdes cresceu 500%










Um guarda-chuva que transforma as gotas de água em energia, uma pen drive produzida com materiais biodegradáveis como milho, ou um biquíni que funciona como carregador solar de aparelhos electrónicos portáteis são apenas alguns exemplos dos produtos eco friendly que têm invadido o mercado. Uma tendência que tem vindo a acentuar-se desde 2007. Desde esse ano, e até ao final de 2010, o lançamento de produtos verdes cresceu mais de 500%, revela Carolina Afonso, especialista em marketing ambiental.


O desenvolvimento de artigos ecológicos esteve inicialmente concentrado em determinadas famílias de produtos, como o papel reciclado ou alimentos biológicos. «Hoje assistimos a uma proliferação de produtos ‘verdes’ em variadíssimas categorias», comenta.


Carolina Afonso destaca, por exemplo, «o esforço da indústria automóvel na aposta na mobilidade sustentável, com o desenvolvimento de automóveis híbridos, eléctricos e de hidrogénio, na busca de fontes de energia renováveis, bem como o desenvolvimento de equipamentos de electrónica de consumo com preocupações ao nível da eficiência energética».


Mas, apesar de existir uma vasta gama de produtos ‘verdes’ em Portugal, critérios como o preço ou a conveniência continuam a ditar «a fraca adesão que este tipo de produtos tem merecido por parte dos consumidores», lamenta a especialista. Aliás, na maioria dos países as fatias de mercado destes artigos não excede os 4%.


Outros dos obstáculos ao desenvolvimento do consumo ‘verde’, segundo um estudo da Ottman, é a ausência de informação sobre os atributos ecológicos do produto sentida pelos consumidores, pouca acessibilidade – pois muitos deles não estão massificados e, como tal, não se encontram disponíveis em todos os pontos de venda – e algum cepticismo em relação ao seu desempenho.


Mas Carolina Afonso prefere olhar com optimismo para o futuro desta indústria e acredita que o consumo de artigos ‘verdes’ vai aumentar, sobretudo em produtos que consigam ter atributos duplamente ‘eco’: ecológico e económico.


«Um bom exemplo são as lâmpadas fluorescentes vs. as incandescentes. Apesar do custo de compra ser desfavorável às fluorescentes, o consumo de energia é de tal forma inferior que, passado um ano, o consumidor já estará compensado do investimento inicial».


Desde o calçado e têxtil, passando pela construção até à alimentação, actualmente praticamente todos os sectores apostam no lançamento de artigos amigos do ambiente. «O consumo ‘verde’ é um fenómeno irreversível e a adopção de práticas verdes pelas organizações é essencial para que estas possam inovar e prosperar», sublinha Carolina Afonso.
in Sol

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